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Caldas Novas - Quarta-Feira, 07 / 01 / 2009
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Primeiros habitantes de Caldas Novas

Na região sudeste de Goiás, na micro-região do Meia Ponte, no sapé da Serra de Caldas Novas viviam os índios caiapó e xavante. Em meio à aridez do sertão, esses índios viviam pacificamente, Como todos os nativos alimentavam-se da pesca e caça, cultivavam, fabricavam suas armas, cerâmica, instrumentos musicais e trabalhos com fibras vegetais.
Os índios viviam também em harmonia com os índios GOYANASES, diz a lenda, que existia uma índia muito bonita da tribo dos GUAYASES, com o nome de “YARA” a deusa das águas na língua tupy. A índia Yara banhava-se no poço das águas quentes todos os dias, onde cuidava de seus cabelos negros; a sua pele era de cor morena e macia, os olhos brilhavam como estrelas, o seu encanto era tanto, que enfeitiçava os índios. Assim nasceu a Yara, e tantas outras lendas que hoje compõem a legião dos encantados. Os encantados, aliás, estão em todos os lugares, como afirma o poeta e escritor paraense João de Jesus Paes Loureiro – estão entre os índios e caboclos, entre o céu e a terra, nos cerrados, nos campos, no fundo das águas...,
Os colonizadores também foram encantados por Yara, e vencidos pela magia das águas quentes, o bandeirante Bartolomeu Bueno conhecido como o “Anhangüera”, este saiu em 1722, em nome da bandeira de Santa Cruz vinha à procura de ouro e outros minerais preciosos, mas se deparou com algo maravilhoso, inexplicável para ele, as Águas Quentes, o ouro incolor.
Estas águas quentes que curam, acalenta, descansam, encantam como a beleza da índia Yara a deusa das águas, e seus mistérios.
Seguindo os caminhos desse bandeirante chega à região o Martinho Coelho de Siqueira, o descobridor e fundador de nossa cidade, construiu em 1778 a primeira casa de Caldas Novas, a partir daí começou a se forma o povoado de Caldas Novas, tornando-se conhecidas por suas águas termais, a fama das águas quentes já teria se espalhado ainda mais, atraindo visitantes ilustres, como o ex-governador da província de Goiás Sr. Fernando Delgado Castilho que sofria de reumatismo, foi um dos primeiros registros de cura das águas termais de Caldas Novas, valendo-se somente das propriedades terapêuticas das águas quentes.
Os encantos da índia Yara persistem até hoje, sendo a luz da felicidade que ilumina a todos, dizem que os apaixonados podem ver seu rosto através do reflexo da água, estes encantos é percebidos através de banhos nas águas quentes de Caldas Novas, você vai sentir a natureza te abraçando, mas fique tranqüilo, é a índia Yara te acolhendo em seus braços.

Texto adaptado por Walter Luiz.


Referencia bibliográfica:
As Fabulosas águas quentes de Caldas Novas – Taylor Oriente
Caldas Novas, Ontem e Hoje – Ana Cristina Elias / 1994.
Caldas Novas a nossa cidade (Cartilha) –.Magali Izuwa / 2003.



Os tesouros ocultos da Serra de Caldas

A negra dá buraco da serra

Xavier Junior

Uma suntuosa planície emerge entre os rios Piracanjuda e Corumbá, a oeste da cidade de Caldas Novas, um maciço rochoso volumoso e imponente denominado Serra de Caldas.
No estertor das ebulições primitivas formou-se a empola como se ali fosse o centro de uma enorme fornalha, os milênios transcorridos modificaram com resfriamento, erosões e ação do tempo, a primitiva feição do bloco e hoje tem ele, ora encostada de planícies bizarras formando-se grandes grotões escuros e tenebrosos.
E coroada por um vasto chapadão de seis quilômetros de largura por dezoito de comprimento. Numa altitude de mil metros sempre varrido por ventos suaves e ezonados, que ululam quando passam pelas ravinas dos grotões.
Desde os tempos em que os homens semi-civilizados pisaram a terra Goiá a estrutura da serra chamou a sua atenção, e os destemidos bandeirantes esmiuçaram-na por todos os lados á procura de suas riquezas. Deixando aqui e ali o sinal vivo de sua passagem nas feridas feitas pelos alviões dos companheiros de BARTOLOMEU FILHO.
O espírito crédulo dos aventureiros que constituíram este Brasil enorme criou uma lenda cheia de fantasia sobre as riquezas guardadas no âmago da serra, deixando-nos pela tradição, um conto que ate hoje tem impressionado.
Contava que alem das águas escaldantes da encosta do oeste que forma uma bacia de cinqüenta metros de raio um caudaloso ribeirão nascido ali mesmo de diversas fontes, não muito longe, havia uma gruta cujas paredes eram forradas com matizes de peras preciosas, rutilantes e faiscantes; o chão era coberto de ouro em pó em grossa camada; porem havia dificuldade acima das forças humanas para se alcançar a entrada da desejada gruta; colocada em lugar íngreme e fortemente guardada por vedetas sobrenaturais; logo à entrada se achava uma negra de aspecto gigantesco, coroada de ouro e pedrarias, vestiada de tecidos de cores variadas cravados de ricos brocados, tendo na destra um rutilante alfange que aos rais do solares, se inflamava como archote, fazendo iluminar toda a caverna.
Era seguida por grande bode negro de barbas e chavelhos de ouro, que como cão fiel berrava á aproximação de qualquer importuno.
Vinha , por fim , um grande touro preto que escavava o pó do chão com os cascos de ouro, esparzindo o metal brilhante por todo os lados e dando urros e bufos tonitruantes que estremeciam a serra toda. Diante de tanto empecilho quem se aventuraria a enfrentar tais inimigos? Sendo assim toda a riqueza era guardada com tanto desvelo no seio da Serra de Caldas

(Publicação feita na Folha de Goiaz, dia 04 de junho de 1946).


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