Primeiros
habitantes de Caldas Novas
Na região
sudeste de Goiás, na micro-região do Meia Ponte, no sapé
da Serra de Caldas Novas viviam os índios caiapó e xavante.
Em meio à aridez do sertão, esses índios viviam pacificamente,
Como todos os nativos alimentavam-se da pesca e caça, cultivavam,
fabricavam suas armas, cerâmica, instrumentos musicais e trabalhos
com fibras vegetais.
Os índios viviam também em harmonia com os índios
GOYANASES, diz a lenda, que existia uma índia muito bonita da tribo
dos GUAYASES, com o nome de “YARA” a deusa das águas
na língua tupy. A índia Yara banhava-se no poço das
águas quentes todos os dias, onde cuidava de seus cabelos negros;
a sua pele era de cor morena e macia, os olhos brilhavam como estrelas,
o seu encanto era tanto, que enfeitiçava os índios. Assim
nasceu a Yara, e tantas outras lendas que hoje compõem a legião
dos encantados. Os encantados, aliás, estão em todos os
lugares, como afirma o poeta e escritor paraense João de Jesus
Paes Loureiro – estão entre os índios e caboclos,
entre o céu e a terra, nos cerrados, nos campos, no fundo das águas...,
Os colonizadores também foram encantados por Yara, e vencidos pela
magia das águas quentes, o bandeirante Bartolomeu Bueno conhecido
como o “Anhangüera”, este saiu em 1722, em nome da bandeira
de Santa Cruz vinha à procura de ouro e outros minerais preciosos,
mas se deparou com algo maravilhoso, inexplicável para ele, as
Águas Quentes, o ouro incolor.
Estas águas quentes que curam, acalenta, descansam, encantam como
a beleza da índia Yara a deusa das águas, e seus mistérios.
Seguindo os caminhos desse bandeirante chega à região o
Martinho Coelho de Siqueira, o descobridor e fundador de nossa cidade,
construiu em 1778 a primeira casa de Caldas Novas, a partir daí
começou a se forma o povoado de Caldas Novas, tornando-se conhecidas
por suas águas termais, a fama das águas quentes já
teria se espalhado ainda mais, atraindo visitantes ilustres, como o ex-governador
da província de Goiás Sr. Fernando Delgado Castilho que
sofria de reumatismo, foi um dos primeiros registros de cura das águas
termais de Caldas Novas, valendo-se somente das propriedades terapêuticas
das águas quentes.
Os encantos da índia Yara persistem até hoje, sendo a luz
da felicidade que ilumina a todos, dizem que os apaixonados podem ver
seu rosto através do reflexo da água, estes encantos é
percebidos através de banhos nas águas quentes de Caldas
Novas, você vai sentir a natureza te abraçando, mas fique
tranqüilo, é a índia Yara te acolhendo em seus braços.
Texto adaptado por
Walter Luiz.
Referencia bibliográfica:
As Fabulosas águas quentes de Caldas Novas – Taylor Oriente
Caldas Novas, Ontem e Hoje – Ana Cristina Elias / 1994.
Caldas Novas a nossa cidade (Cartilha) –.Magali Izuwa / 2003.
Os
tesouros ocultos da Serra de Caldas
A negra dá buraco
da serra
Xavier Junior
Uma
suntuosa planície emerge entre os rios Piracanjuda e Corumbá,
a oeste da cidade de Caldas Novas, um maciço rochoso volumoso e
imponente denominado Serra de Caldas.
No estertor das ebulições primitivas formou-se a empola
como se ali fosse o centro de uma enorme fornalha, os milênios transcorridos
modificaram com resfriamento, erosões e ação do tempo,
a primitiva feição do bloco e hoje tem ele, ora encostada
de planícies bizarras formando-se grandes grotões escuros
e tenebrosos.
E coroada por um vasto chapadão de seis quilômetros de largura
por dezoito de comprimento. Numa altitude de mil metros sempre varrido
por ventos suaves e ezonados, que ululam quando passam pelas ravinas dos
grotões.
Desde os tempos em que os homens semi-civilizados pisaram a terra Goiá
a estrutura da serra chamou a sua atenção, e os destemidos
bandeirantes esmiuçaram-na por todos os lados á procura
de suas riquezas. Deixando aqui e ali o sinal vivo de sua passagem nas
feridas feitas pelos alviões dos companheiros de BARTOLOMEU FILHO.
O espírito crédulo dos aventureiros que constituíram
este Brasil enorme criou uma lenda cheia de fantasia sobre as riquezas
guardadas no âmago da serra, deixando-nos pela tradição,
um conto que ate hoje tem impressionado.
Contava que alem das águas escaldantes da encosta do oeste que
forma uma bacia de cinqüenta metros de raio um caudaloso ribeirão
nascido ali mesmo de diversas fontes, não muito longe, havia uma
gruta cujas paredes eram forradas com matizes de peras preciosas, rutilantes
e faiscantes; o chão era coberto de ouro em pó em grossa
camada; porem havia dificuldade acima das forças humanas para se
alcançar a entrada da desejada gruta; colocada em lugar íngreme
e fortemente guardada por vedetas sobrenaturais; logo à entrada
se achava uma negra de aspecto gigantesco, coroada de ouro e pedrarias,
vestiada de tecidos de cores variadas cravados de ricos brocados, tendo
na destra um rutilante alfange que aos rais do solares, se inflamava como
archote, fazendo iluminar toda a caverna.
Era seguida por grande bode negro de barbas e chavelhos de ouro, que como
cão fiel berrava á aproximação de qualquer
importuno.
Vinha , por fim , um grande touro preto que escavava o pó do chão
com os cascos de ouro, esparzindo o metal brilhante por todo os lados
e dando urros e bufos tonitruantes que estremeciam a serra toda. Diante
de tanto empecilho quem se aventuraria a enfrentar tais inimigos? Sendo
assim toda a riqueza era guardada com tanto desvelo no seio da Serra de
Caldas
(Publicação
feita na Folha de Goiaz, dia 04 de junho de 1946).
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