A
Descoberta das Águas Quentes.
As
primeiras citações sobre as águas quentes da região
de Caldas Novas e Rio Quente foram publicadas na Espanha, em 1545.
Há estudos arqueológicos que registram que nessa época
já eram feitas incursões de índios, com trilhas que
iam do Rio de Janeiro até Machu Pichu, a capital do Incas, no Peru.
Os índios falavam uma língua básica, o que facilitou
muito as incursões que foram aumentando com o passar dos anos.
Nos séculos 16 e 17, as explorações econômicas
do Brasil, constituídas pelo pau-brasil e depois pelo açúcar,
estavam concentradas no litoral e eram destinadas à exportação.
A produção do açúcar utilizava mão-de-obra
escrava indígena e africana e tecnologia portuguesa. Nessa época,
o Brasil teve surtos de desenvolvimento, principalmente no Nordeste, gerando
muitas riquezas para Portugal. No século 18 houve um grande impulso
da economia com a mineração, o que originou um movimento
de gente para o interior do país, com a formação
de Bandeiras, que tinham como objetivo principal a descoberta de ouro
e pedras preciosas e índios para escravizar.
Em 1722, Bartolomeu Bueno da Silva, o filho
do Anhangüera, ao desviar-se do caminho trilhado por seu pai anos
antes, encontra as fontes termais formadoras do Rio Quente, que foram
denominadas Caldas Velhas, no local onde hoje está situada a Pousada
do Rio Quente. Os índios da região eram os Guaiás,
da tribo Tupi, cujo significado é pessoa igual, da mesma raça.
Os Guaiás e Guaianases já conheciam os poderes terapêuticos
das águas quentes. Essas tribos foram sendo dizimadas pelas doenças
trazidas pelos brancos e por serem levadas para outras regiões
como escravos. Houve muita miscigenação das índias
com os portugueses, dando origem aos mamelucos. Estes foram os grandes
responsáveis pela interiorização do país pois
tinham os conhecimentos dos índios sobre a região, falavam
a mesma língua, e também aspiravam ter o mesmo status dos
pais portugueses.
Como
se formam as Águas Quentes?
0 maior estudo sobre o termalismo de Caldas
Novas e Rio Quente foi realizado pela empresa estatal Fumas Centrais Elétricas,
em função da possível influência da barragem
da Usina Hidrelétrica Corumbá I sobre o lençol termal
da região, que estaria sob o risco de esfriar.
De acordo com Furnas, o fenômeno das
águas quentes decorre de características geológicas
e topográficas peculiares. As águas são aquecidas
com o calor proveniente do interior da Terra, em camadas profundas da
crosta terrestre.
O subsolo da região é constituído por camadas de
xisto e quartzito, ambas impermeáveis. Entretanto, estas rochas
têm consistências diferentes: o xisto é uma formação
rochosa mais plástica, isto é, é mais moldável
pelas forças exteriores; já o quartzito é uma rocha
mais rígida, sob pressão, permitindo a formação
de grandes conjuntos de fraturas. É nesta camada de quartzito onde
se encontram os reservatórios de águas termais.
0 processo de formação do aqüífero termal se
inicia com a infiltração da água da chuva no topo
das Serras de Caldas e da Matinha, que estão a cerca de mil metros
de altura em relação ao nível do mar. A água
quente, confinada sob as camadas de xisto e quartzito, está submetida
a uma pressão muito grande, equivalente à pressão
de uma coluna d'água de mais de 600 metros de altura (desde onde
se encontra confinada até o topo das Serras).
Fraturas verticais que atravessam os xistos, deixam a água se infiltrar,
interligando a superfície do solo aos quartzitos, permitindo que
a água quente, sob pressão, aflore naturalmente, como ocorre
na, Pousada do Rio Quente e na Lagoa Quente do Pirapitinga. Essa água
sob pressão também pode ser captada antes de aflorar, através
de bombas instaladas em poços, como é o caso dos hotéis
e clubes de Caldas Novas. O movimento da água subterrânea,
aquecida e pressurizada, só é possível no sentido
ascendente, através das fraturas verticais, e nunca no sentido
contrário.
A suspeita de que a água fria da barragem da Usina Corumbá
I poderia se infiltrar no lençol termal de Caldas Novas e Rio Quente
não tem cabimento, pois as águas do lago estão na
cota 595 (ou seja, 595m acima do nível do mar), bem abaixo de onde
se formam as águas quentes, atualmente, na cota 644. A água
fria, portanto, não tem condições de afetar o lençol
termal, devido à ação da gravidade.
Estância Hidrotermal
"A maior do mundo"
A
mania brasileira de alardear isso ou aquilo como a maior do mundo faz
muita gente desconfiar de certas afirmações. No caso de
Caldas Novas, será mesmo verdade a afirmação que
saúda os turistas logo à entrada da cidade: "A Maior
Estância Hidrotermal do Mundo?" Sim, é verdade! É
mesmo a maior estância hidrotermal do mundo, ou seja, o maior conjunto
hoteleiro que oferece o maior complexo balneário de águas
termais do planeta.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São
Paulo, "estância é o município que contem fontes
naturais de água dotadas de altas qualidades terapêuticas,
e em quantidades suficientes para atenderem aos fins a que se destinam...
Compreende o território em que estão localizadas as fontes
respectivas, as instalações e obras destinadas ao aproveitamento
das águas e a área circunjacente necessária aos objetivos
sanitários e turísticos, a que se destina a estância".
Em Caldas Novas, existem atualmente
86 poços em atividade, bombeando uma média de 1.200 m³
por hora, em um regime de 14 horas diárias, de água quente
com temperatura entre 34 e 57ºC, em uma rede hoteleira que oferece
mais de 12 mil leitos, em estabeleci mentos dos mais diversos tipos. Estância,
portanto, é a denominação mais adequada que existe
para caracterizar a região.
As demais estâncias hidrotermais do mundo, algumas com água
em temperaturas bem superiores, normalmente constituem-se em pequenas
cidade, instaladas em meio a um ambiente bucólico, onde a exploração
da água é feita por poucos empreendimentos.
Existem regiões, como em Budapeste,
na Hungria, onde o aqüífero termal é muito maior do
que o de Caldas Novas e Rio Quente. Porém, o uso da água
termal tem múltiplas finalidades, sendo empregada na irrigação,
na refrigeração, na indústria e, em pequena escala,
no turismo. Na Itália e Nova Zelândia, existem grandes aqüíferos
termais sendo explorados de forma múltipla, mas, principalmente,
na geração de energia elétrica.
Em Goiás, existem outros municípios
que possuem fontes hidrotermais, corno Itajá e Cachoeira Dourada.
Em outros Estados, também existem ocorrências de águas
termais, como em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia,
Rio Grande Norte e Tocantins.
Nada, no entanto, se compara ao enorme complexo turístico hidrotermal
instalado em Caldas Novas e Rio Quente. Sem dúvida nenhuma, o maior
do mundo!
A versão do vulcão
está extinta!
Saber
exatamente como se formam as águas quentes de Caldas Novas e Rio
Quente sempre foram motivos de curiosidades da maioria das pessoas. Para
explicar a origem das águas termais muitas versões já
foram dadas. Uma das mais difundidas é a de que teria existido
um vulcão, extinto há milhões de anos, em cuja cratera
a água da chuva se infiltraria, aquecendo-se a grandes profundidades
e retomaria a superfície, através de fendas na rocha, formando
as surgências naturais que ocorrem na Pousada do Rio Quente, na
Lagoa Quente do Pirapitinga e até alguns anos atrás na cidade
de Caldas Novas.
Essa e outras versões, na maioria das vezes, foram dadas por estudiosos
e cientistas que por aqui passaram, fizeram observações
empíricas, elaboraram suas hipóteses, mas não fizeram
posteriormente uma comprovação científica. Estudos
mais modernos mostram que não há indício de vulcanismo
na região de Caldas Novas e Rio Quente, idéia reforçada
pela forma elíptica da Serra de Caldas, mostrada na foto de satélite.
Propriedades Terapêuticas
da Águas Quentes
As águas provenientes das camadas
profundas do subsolo, quando afloram à superfície, trazem
em dissoluções sais minerais e gases, que pelas suas composições
físico-químicas, possuem comprovadas propriedades terapêuticas.
Essas águas, quando bebidas na fonte por vários dias, agem
como uma lavagem interna do aparelho digestivo, sendo indicadas nas infecções
e moléstias alérgicas.
Efeitos Benéficos
· Afecções do aparelho digestivo
· Estimulante do metabolismo das glândulas endócrinas
· Aumento da diurese e excreção do ácido úrico
· Produz efeito sedativo sobre o sistema nervoso
Indicada para tratamento
· Reumático
· Alérgico
· Para gastrite
· Afecções da pele
· Artrite
· Nevralgias
· Nefrites e afecções articulares
· Abaixa a pressão arterial, especialmente na arteriosclerose.
· Eliminação de depósito gotoso
· Melhora a digestão gástrica e duodenal
· Aumenta a vitalidade sexual
· Ação notável nas afecções
do nervo simpático
Turistas já comprovaram que os usos das águas aumentam a
diurese, exercendo ação sedativa sobre o sistema nervoso,
são anti-reumáticas e indicadas no tratamento da gastrite.
É uma verdadeira fonte do rejuvenescimento.
Composição Química das Águas Termais
Resíduos em suspensão ausente
| Resíduos
180o C |
126,2 mg/l |
| Anidrido carbônico total (CO2) |
95,6 mg/l |
| Anidrido carbônico
(CO2) |
16,7 mg/l
|
| Alcalinidade (em CoCap/100.000 de
água) |
10,5 partes |
| Matéria orgânica (em O
meio ácido) |
1,1 mg/l |
| Cloretos (Cl) |
0,4 mg/l |
| Sulfatos (SO4) |
8,4 mg/l |
| Nitratos (NO3) |
0,7 mg/l |
| Nitratos (N02) |
0,01 mg/l |
| Sílica (SlO2) |
34,7 |
| Ferro (Fe 1--1--1-) |
0,2 |
| Alumínio (Al-1-1--1-1-) |
0,2 mg/l |
| Cálcio (Ca-1--1-) |
21,3 mg/l |
| Magnésio (Mg-1--1-) |
5,9 mg/l |
| Amônio (NH-1-) |
traços |
| Alcalinos (em Na-1-) |
76 mg/l |
Fonte: Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de
São Paulo
Origem das Águas
Quentes "O que dizem os pesquisadores"
O
que dizem os Pesquisadores
As fontes termais atraíram e continuam chamando a atenção
de dezenas de pesquisadores que questionam suas origens geológicas.
Uns dizem que as fontes são enriquecidas com minérios de
urânio desintegrados, presentes na serra de Caldas. Outros são
favoráveis à mais antiga das versões, que explica
o fenômeno das águas serem quentes por brotarem da cratera
de um vulcão, extinto há milhares de anos.
O cientista Rui Bueno de Arruda Camargo
chegou à conclusão que presumidamente, numa época
muito remota do vulcanismo, houve uma convulsão telúrica
no planalto central de Goiás, e de uma grande montanha de forma
circular eram expelidas lavas, cinzas e gases de seu topo. Por milhares
de anos permaneceu esta erupção até cessarem totalmente,
e a montanha tornou-se inerte.
Outros milhares de anos se passaram e a erosão das chuvas e do
vento corroeram as suas bordas. Os desmoronamentos sucessivos, a decomposição
das rochas e a dissolução das lavas e cinzas, carregadas
pelas enxurradas, foram entupindo o vulcão extinto. Tendo sido
fechado, o calor e a pressão dos gases internos, provocaram trincas
na rocha, na base da montanha, e por elas eram expelidas vapores d'água
misturados com gases, formando, assim, inúmeras fontes de "gêiser".
Com o arrefecimento das atividades do vulcão
e diminuição da pressão dos gases internos, pelas
trincas e furos na rocha saíram apenas borbulhas. Num dos pontos
havia maior número de fontes, a quantidade de água era tanta
que formou-se um ribeirão de águas quentes.
Recentemente surgiu outra versão chamada de "teoria do recalque",
que diz ser o platô da Serra de Caldas, uma área de retro-alimentação
onde estão as infiltrações e reservas de grande volume
de águas freáticas.
Essas águas penetram através
das fendas das rochas adquirindo propriedades físico-químicas,
devido às contribuições do grau geotérmico,
das emanações de vapores e do calor das rochas em resfriamento.
A água fria infiltrada, sobre pressão,
procura a superfície em forma de fontes naturais termais.
Referencia bibliográfica:
Águas thermaes de Caldas Novas -
( Dr. Orosimbo Correia Neto – 1918)
As Fabulosas águas quentes de - Caldas Novas – Taylor Oriente
Caldas Novas, Ontem e Hoje – Ana Cristina Elias / 1994.
Caldas Novas a nossa cidade - (Cartilha) –.Magali Izuwa / 2003.
Caldas novas da mineração ao turismo - ( Ricardo Cassiano
1988)
Mistérios Das Águas Azuis – ( Maria Cândida
de Godoy 1993)
Historias e Estórias de Caldas Novas - (Jose Theophilo de Godoy
1978)
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