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Caldas Novas - Quarta-Feira, 07 / 01 / 2009
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A Descoberta das Águas Quentes. 

As primeiras citações sobre as águas quentes da região de Caldas Novas e Rio Quente foram publicadas na Espanha, em 1545.
Há estudos arqueológicos que registram que nessa época já eram feitas incursões de índios, com trilhas que iam do Rio de Janeiro até Machu Pichu, a capital do Incas, no Peru. Os índios falavam uma língua básica, o que facilitou muito as incursões que foram aumentando com o passar dos anos.
Nos séculos 16 e 17, as explorações econômicas do Brasil, constituídas pelo pau-brasil e depois pelo açúcar, estavam concentradas no litoral e eram destinadas à exportação.
A produção do açúcar utilizava mão-de-obra escrava indígena e africana e tecnologia portuguesa. Nessa época, o Brasil teve surtos de desenvolvimento, principalmente no Nordeste, gerando muitas riquezas para Portugal. No século 18 houve um grande impulso da economia com a mineração, o que originou um movimento de gente para o interior do país, com a formação de Bandeiras, que tinham como objetivo principal a descoberta de ouro e pedras preciosas e índios para escravizar.

Em 1722, Bartolomeu Bueno da Silva, o filho do Anhangüera, ao desviar-se do caminho trilhado por seu pai anos antes, encontra as fontes termais formadoras do Rio Quente, que foram denominadas Caldas Velhas, no local onde hoje está situada a Pousada do Rio Quente. Os índios da região eram os Guaiás, da tribo Tupi, cujo significado é pessoa igual, da mesma raça. Os Guaiás e Guaianases já conheciam os poderes terapêuticos das águas quentes. Essas tribos foram sendo dizimadas pelas doenças trazidas pelos brancos e por serem levadas para outras regiões como escravos. Houve muita miscigenação das índias com os portugueses, dando origem aos mamelucos. Estes foram os grandes responsáveis pela interiorização do país pois tinham os conhecimentos dos índios sobre a região, falavam a mesma língua, e também aspiravam ter o mesmo status dos pais portugueses.


Como se formam as Águas Quentes?

0 maior estudo sobre o termalismo de Caldas Novas e Rio Quente foi realizado pela empresa estatal Fumas Centrais Elétricas, em função da possível influência da barragem da Usina Hidrelétrica Corumbá I sobre o lençol termal da região, que estaria sob o risco de esfriar.

 


De acordo com Furnas, o fenômeno das águas quentes decorre de características geológicas e topográficas peculiares. As águas são aquecidas com o calor proveniente do interior da Terra, em camadas profundas da crosta terrestre.
O subsolo da região é constituído por camadas de xisto e quartzito, ambas impermeáveis. Entretanto, estas rochas têm consistências diferentes: o xisto é uma formação rochosa mais plástica, isto é, é mais moldável pelas forças exteriores; já o quartzito é uma rocha mais rígida, sob pressão, permitindo a formação de grandes conjuntos de fraturas. É nesta camada de quartzito onde se encontram os reservatórios de águas termais.
0 processo de formação do aqüífero termal se inicia com a infiltração da água da chuva no topo das Serras de Caldas e da Matinha, que estão a cerca de mil metros de altura em relação ao nível do mar. A água quente, confinada sob as camadas de xisto e quartzito, está submetida a uma pressão muito grande, equivalente à pressão de uma coluna d'água de mais de 600 metros de altura (desde onde se encontra confinada até o topo das Serras).
Fraturas verticais que atravessam os xistos, deixam a água se infiltrar, interligando a superfície do solo aos quartzitos, permitindo que a água quente, sob pressão, aflore naturalmente, como ocorre na, Pousada do Rio Quente e na Lagoa Quente do Pirapitinga. Essa água sob pressão também pode ser captada antes de aflorar, através de bombas instaladas em poços, como é o caso dos hotéis e clubes de Caldas Novas. O movimento da água subterrânea, aquecida e pressurizada, só é possível no sentido ascendente, através das fraturas verticais, e nunca no sentido contrário.
A suspeita de que a água fria da barragem da Usina Corumbá I poderia se infiltrar no lençol termal de Caldas Novas e Rio Quente não tem cabimento, pois as águas do lago estão na cota 595 (ou seja, 595m acima do nível do mar), bem abaixo de onde se formam as águas quentes, atualmente, na cota 644. A água fria, portanto, não tem condições de afetar o lençol termal, devido à ação da gravidade.


Estância Hidrotermal "A maior do mundo"

A mania brasileira de alardear isso ou aquilo como a maior do mundo faz muita gente desconfiar de certas afirmações. No caso de Caldas Novas, será mesmo verdade a afirmação que saúda os turistas logo à entrada da cidade: "A Maior Estância Hidrotermal do Mundo?" Sim, é verdade! É mesmo a maior estância hidrotermal do mundo, ou seja, o maior conjunto hoteleiro que oferece o maior complexo balneário de águas termais do planeta.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, "estância é o município que contem fontes naturais de água dotadas de altas qualidades terapêuticas, e em quantidades suficientes para atenderem aos fins a que se destinam... Compreende o território em que estão localizadas as fontes respectivas, as instalações e obras destinadas ao aproveitamento das águas e a área circunjacente necessária aos objetivos sanitários e turísticos, a que se destina a estância".

Em Caldas Novas, existem atualmente 86 poços em atividade, bombeando uma média de 1.200 m³ por hora, em um regime de 14 horas diárias, de água quente com temperatura entre 34 e 57ºC, em uma rede hoteleira que oferece mais de 12 mil leitos, em estabeleci mentos dos mais diversos tipos. Estância, portanto, é a denominação mais adequada que existe para caracterizar a região.
As demais estâncias hidrotermais do mundo, algumas com água em temperaturas bem superiores, normalmente constituem-se em pequenas cidade, instaladas em meio a um ambiente bucólico, onde a exploração da água é feita por poucos empreendimentos.

Existem regiões, como em Budapeste, na Hungria, onde o aqüífero termal é muito maior do que o de Caldas Novas e Rio Quente. Porém, o uso da água termal tem múltiplas finalidades, sendo empregada na irrigação, na refrigeração, na indústria e, em pequena escala, no turismo. Na Itália e Nova Zelândia, existem grandes aqüíferos termais sendo explorados de forma múltipla, mas, principalmente, na geração de energia elétrica.

Em Goiás, existem outros municípios que possuem fontes hidrotermais, corno Itajá e Cachoeira Dourada. Em outros Estados, também existem ocorrências de águas termais, como em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Bahia, Rio Grande Norte e Tocantins.
Nada, no entanto, se compara ao enorme complexo turístico hidrotermal instalado em Caldas Novas e Rio Quente. Sem dúvida nenhuma, o maior do mundo!


A versão do vulcão está extinta!

Saber exatamente como se formam as águas quentes de Caldas Novas e Rio Quente sempre foram motivos de curiosidades da maioria das pessoas. Para explicar a origem das águas termais muitas versões já foram dadas. Uma das mais difundidas é a de que teria existido um vulcão, extinto há milhões de anos, em cuja cratera a água da chuva se infiltraria, aquecendo-se a grandes profundidades e retomaria a superfície, através de fendas na rocha, formando as surgências naturais que ocorrem na Pousada do Rio Quente, na Lagoa Quente do Pirapitinga e até alguns anos atrás na cidade de Caldas Novas.


Essa e outras versões, na maioria das vezes, foram dadas por estudiosos e cientistas que por aqui passaram, fizeram observações empíricas, elaboraram suas hipóteses, mas não fizeram posteriormente uma comprovação científica. Estudos mais modernos mostram que não há indício de vulcanismo na região de Caldas Novas e Rio Quente, idéia reforçada pela forma elíptica da Serra de Caldas, mostrada na foto de satélite.


Propriedades Terapêuticas da Águas Quentes

As águas provenientes das camadas profundas do subsolo, quando afloram à superfície, trazem em dissoluções sais minerais e gases, que pelas suas composições físico-químicas, possuem comprovadas propriedades terapêuticas. Essas águas, quando bebidas na fonte por vários dias, agem como uma lavagem interna do aparelho digestivo, sendo indicadas nas infecções e moléstias alérgicas.

Efeitos Benéficos
· Afecções do aparelho digestivo
· Estimulante do metabolismo das glândulas endócrinas
· Aumento da diurese e excreção do ácido úrico
· Produz efeito sedativo sobre o sistema nervoso

Indicada para tratamento

· Reumático
· Alérgico
· Para gastrite
· Afecções da pele
· Artrite
· Nevralgias
· Nefrites e afecções articulares
· Abaixa a pressão arterial, especialmente na arteriosclerose.
· Eliminação de depósito gotoso
· Melhora a digestão gástrica e duodenal
· Aumenta a vitalidade sexual
· Ação notável nas afecções do nervo simpático


Turistas já comprovaram que os usos das águas aumentam a diurese, exercendo ação sedativa sobre o sistema nervoso, são anti-reumáticas e indicadas no tratamento da gastrite.
É uma verdadeira fonte do rejuvenescimento.


Composição Química das Águas Termais



Resíduos em suspensão ausente 

Resíduos 180o C   126,2 mg/l 
Anidrido carbônico total (CO2) 95,6 mg/l 
Anidrido carbônico (CO2)   16,7 mg/l 
Alcalinidade (em CoCap/100.000 de água)  10,5 partes 
Matéria orgânica (em O meio ácido)   1,1 mg/l 
Cloretos (Cl) 0,4 mg/l 
Sulfatos (SO4) 8,4 mg/l 
Nitratos (NO3) 0,7 mg/l 
Nitratos (N02)  0,01 mg/l 
  Sílica (SlO2) 34,7 
Ferro (Fe 1--1--1-) 0,2 
  Alumínio (Al-1-1--1-1-) 0,2 mg/l 
Cálcio (Ca-1--1-)   21,3 mg/l 
Magnésio (Mg-1--1-) 5,9 mg/l 
Amônio (NH-1-)   traços 
Alcalinos (em Na-1-) 76 mg/l 


Fonte: Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo


Origem das Águas Quentes "O que dizem os pesquisadores"

O que dizem os Pesquisadores
As fontes termais atraíram e continuam chamando a atenção de dezenas de pesquisadores que questionam suas origens geológicas.
Uns dizem que as fontes são enriquecidas com minérios de urânio desintegrados, presentes na serra de Caldas. Outros são favoráveis à mais antiga das versões, que explica o fenômeno das águas serem quentes por brotarem da cratera de um vulcão, extinto há milhares de anos.

O cientista Rui Bueno de Arruda Camargo chegou à conclusão que presumidamente, numa época muito remota do vulcanismo, houve uma convulsão telúrica no planalto central de Goiás, e de uma grande montanha de forma circular eram expelidas lavas, cinzas e gases de seu topo. Por milhares de anos permaneceu esta erupção até cessarem totalmente, e a montanha tornou-se inerte.
Outros milhares de anos se passaram e a erosão das chuvas e do vento corroeram as suas bordas. Os desmoronamentos sucessivos, a decomposição das rochas e a dissolução das lavas e cinzas, carregadas pelas enxurradas, foram entupindo o vulcão extinto. Tendo sido fechado, o calor e a pressão dos gases internos, provocaram trincas na rocha, na base da montanha, e por elas eram expelidas vapores d'água misturados com gases, formando, assim, inúmeras fontes de "gêiser".

Com o arrefecimento das atividades do vulcão e diminuição da pressão dos gases internos, pelas trincas e furos na rocha saíram apenas borbulhas. Num dos pontos havia maior número de fontes, a quantidade de água era tanta que formou-se um ribeirão de águas quentes.


Recentemente surgiu outra versão chamada de "teoria do recalque", que diz ser o platô da Serra de Caldas, uma área de retro-alimentação onde estão as infiltrações e reservas de grande volume de águas freáticas.

Essas águas penetram através das fendas das rochas adquirindo propriedades físico-químicas, devido às contribuições do grau geotérmico, das emanações de vapores e do calor das rochas em resfriamento.

A água fria infiltrada, sobre pressão, procura a superfície em forma de fontes naturais termais.

Referencia bibliográfica:

Águas thermaes de Caldas Novas - ( Dr. Orosimbo Correia Neto – 1918)
As Fabulosas águas quentes de - Caldas Novas – Taylor Oriente
Caldas Novas, Ontem e Hoje – Ana Cristina Elias / 1994.
Caldas Novas a nossa cidade - (Cartilha) –.Magali Izuwa / 2003.
Caldas novas da mineração ao turismo - ( Ricardo Cassiano 1988)
Mistérios Das Águas Azuis – ( Maria Cândida de Godoy 1993)
Historias e Estórias de Caldas Novas - (Jose Theophilo de Godoy 1978)



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